As maravilhas do Egito

Depois de termos estudado a civilização egípcia na escola, fica uma sensação de perplexidade. Como aquele povo conseguiu erigir tantas maravilhas? Por isso, muitas pessoas descrevem a visita ao Egito como “a viagem de suas vidas”. O encanto de se ver diante daquelas construções majestosas, erguidas quando não existia nada da tecnologia que conhecemos hoje, fica marcado para sempre na alma do viajante.

Sem dúvida, a civilização egípcia tem mesmo uma história fascinante e é uma das mais fantásticas da História Antiga. Em meio a uma região desértica, foram as terras férteis à margem do Nilo que permitiram o desenvolvimento desse povo. Os egípcios tiravam do lendário rio a água necessária para beber, irrigar plantações, pescar e transportar pessoas e alimentos.

A sociedade era organizada em castas, de acordo com questões religiosas e econômicas. No alto escalão estava o faraó, que, além de governar, era considerado a encarnação do deus Hórus. Os sacerdotes ocupavam a classe logo abaixo, seguidos por nobres e escribas, aqueles que tinham o conhecimento da escrita. Por fim, vinham os soldados, sustentados pelo governo e, abaixo deles, os camponeses. Na casta mais baixa estavam os escravos.

Os egípcios antigos deixaram muitos presentes para a humanidade. Um deles é a sua bela escrita, formada por desenhos chamados de hieróglifos, que só puderam ser entendidos em 1822, quando foram decifrados pelo linguista e egiptólogo francês Jean-François Champollion. E não apenas a escrita era artística, mas os ritos funerários nos deixaram fantásticas obras de arte. E isso sem falar das pirâmides, que até hoje os historiadores não sabem dizer exatamente como foram construídas!

A verdade é que a civilização egípcia estava muito avançada para a época, em termos de conhecimentos. Ela já possuía um amplo entendimento de técnicas de irrigação e agricultura e também conhecia a cerâmica, a metalurgia, a matemática e a geometria. Possuía, inclusive, um calendário dividido em anos de 365 dias, como o nosso. E o processo de mumificação colaborou para que desenvolvesse estudos avançados de medicina e anatomia.

Agora, imagine pisar o mesmo solo que essa civilização impressionante, visitar suas construções e ver de perto o seu legado. É o que uma viagem ao Egito vai proporcionar! Se você ainda não sabe como organizar a sua ida para lá e o que fazer quando chegar, é só continuar lendo as nossas dicas.

Os mistérios do Cairo

A capital do Egito é uma das cidades mais antigas do mundo. Qualquer viagem ao país deve necessariamente incluí-la. Apesar de toda a agitação, das ruas movimentadas e da grande população, a cidade conserva uma atmosfera mágica e histórica, com atrações impressionantes.

Logo ali perto estão as famosas pirâmides, mas isso não é tudo. O Museu do Cairo é o sonho de todos os apaixonados por arqueologia. Não fique intimidado com a desorganização das exposições, pois ali estão tesouros milenares que contam a história do Egito, recuperados diretamente do meio do deserto. Passe na sala das múmias, vejas os tesouros de Tutancâmon e se perca entre tantas relíquias que serão necessárias horas para explorar uma parte considerável do lugar.

Outra atração imperdível é a Mesquita de Mohammed Ali, também conhecida como Mesquita de Alabastro. Ela foi a maior mesquita construída no país na primeira metade do século XIX. Foi encomendada por Mohammed Ali, que está sepultado ali, em uma tumba de mármore com decorações impressionantes. Saiba que é preciso tirar os sapatos e cobrir a cabeça e os ombros para entrar. Passeie pelas arcadas ao redor do pátio e veja os minaretes construídos nos séculos XIV, XV e XVI. Dentro da mesquita, você verá moradores locais rezando ou apenas passando um tempo nas grandes salas frescas.

Não deixe de passear pelos enormes mercados que se espalham pelo país. No Cairo, visite o Khan el-Khalili, que é o mais famoso. Lá, você pode comprar desde as lembrancinhas de viagem até temperos incomuns para nós. Vai ser uma tentação, então separe espaço dentro das malas. Também tome um chá e observe a movimentação, para ver como os egípcios fazem compras e se comportam no dia a dia. E tenha paciência com os vendedores ambulantes, eles vão tentar oferecer de tudo. Também vá pronto para negociar os preços, prática que é uma tradição por lá.

Na hora de comer, não vão faltar opções de restaurantes, desde os mais simples até os sofisticados. Prove as comidas típicas, que não são muito estranhas para os brasileiros acostumados com pratos árabes e libaneses, mas têm um toque característico. Experimente kafta, cozidos de carne e legumes, arroz com aletria e (sim) carne de pombo. Por fim, visite as lojas de produtos feitos com algodão egípcio e os estabelecimentos de papiros, onde você pode observar como eles eram confeccionados em tempos antigos.

Para se deslocar pela cidade, as melhores opções são o metrô e os táxis. A malha do metrô não é muito grande, mas chega a vários dos locais mais importantes da cidade, e o preço baixo compensa bastante. Os táxis também são baratos, mas lembre-se de pedir que o motorista use o taxímetro e não estranhe se ele esperar o carro ficar cheio antes de partir, pois viagens compartilhadas são comuns.

As magníficas pirâmides de Gizé

Nós sabemos que as pirâmides são a atração que você mais quer ver no Egito, é claro! Elas são impressionantes e, não à toa, foram classificadas como uma das Sete Maravilhas do Mundo. Ver de perto uma pirâmide é uma experiência inesquecível. Se tiver coragem, arrisque entrar em uma também, para se sentir ainda mais próximo da história do Egito Antigo.

As Pirâmides de Gizé ficam bem perto do Cairo. Não, elas não estão no meio do deserto, o que facilita muito o passeio. Para aproveitar ao máximo, acorde cedo. O calor costuma ser intenso e você vai querer evitar o sol do meio-dia. Ao chegar ao plateau, verá as três grandes pirâmides — Quéops, Quéfren e Miquerinos —, que foram construídas para serem os túmulos dos três faraós de mesmo nome, pertencentes à mesma família. Não se engane, elas parecem estar próximas umas das outras, mas a distância é considerável. Uma boa opção é um passeio a cavalo, camelo ou charrete.

As pirâmides não ficam todas abertas à visitação ao mesmo tempo e não há como saber qual estará aberta quando você for. Se não tiver medo de ambientes fechados, compre um ingresso para o interior de uma pirâmide. É uma experiência única, ainda que lá dentro só seja possível observar a construção, pois as múmias e os outros tesouros já foram retirados. Porém, fique atento: apenas 300 ingressos são vendidos por dia, uma parte pela manhã e outra, à tarde. Programe-se para pegar o começo da fila.

À esquerda da maior das pirâmides, a de Quéops, está a majestosa Esfinge. A figura metade humana e metade leão pode até parecer pequena comparada à grande pirâmide, mas a construção mística tem a altura de 20 metros e já sobreviveu a batalhas e até ao soterramento. Perdeu o nariz e uma parte da barba, mas é tão imponente quanto você pode imaginar.

As três grandes pirâmides e a esfinge não são tudo que está no complexo de Gizé. Há seis pirâmides menores e diversos cemitérios, além do Museu da Barca Solar, que abriga uma barca de madeira de grandes proporções, do tipo usado para transportar o corpo de faraós pelo rio Nilo. Depois, a barca era enterrada perto do monumento funerário, para que o faraó pudesse usá-la para atravessar outro rio, na vida após a morte. A barca que está no museu foi restaurada com a utilização de 1.200 pedaços de madeira desenterrados em 1954.

Fique atento: não é permitido escalar as pirâmides. Há policiais à paisana e você pode ser multado ou até ir preso. A aventura também é perigosa, então nem se arrisque. Leve água — de preferência, congelada, porque, com o calor, ela vai esquentar depressa — e lanches. Passe bastante protetor solar, use roupas leves, chapéu e óculos de sol. O passeio costuma durar cerca de quatro horas, por isso é importante estar preparado. Há também muitos vendedores ambulantes no local.

Alexandria: centro do conhecimento

A 200 km do Cairo está Alexandria, uma cidade que desempenhou um papel muito importante não só na história do Egito, mas do mundo todo. Ela foi fundada por Alexandre, o Grande, no século IV a.C. E era lá que ficava uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, o Farol de Alexandria. Infelizmente, o farol não existe mais, mas as ruas de Alexandria estão recheadas de vestígios arqueológicos, como monumentos, castelos e coleções de museus. Importante ponto de ligação entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Vermelho, a cidade tem muita história para contar.

Com certeza você vai querer passar pela Biblioteca de Alexandria. Ela já foi uma das maiores do mundo e um importante centro de conhecimento da Antiguidade, fundada no século III a.C e destruída por um incêndio. A biblioteca que existe hoje é moderna, dos anos 2000. Ela foi construída no mesmo lugar da original e é um passeio inesquecível. Há tanto para ver que você talvez passe um dia inteiro por lá, mas pode fazer um passeio com guia pelos principais pontos. A arquitetura moderna é linda e são muitos andares de livros, obras de arte e até um museu.

Para os aventureiros, recomendamos uma ida às catacumbas de Kom El Shoqafa, construídas em fins do século I. Depois de descer uma grande escada em espiral, chega-se a um complexo de vários andares com estátuas, símbolos religiosos, sarcófagos, nichos funerários e uma sala de banquete. Esse sítio arqueológico foi descoberto por acaso em 1900 e chega a alcançar uma profundidade de 35 metros.

O Pilar de Pompeia é outra bela atração de Alexandria. Feito de granito vermelho vindo de Aswan, ele tem 30 metros e está em meio às ruínas de Rhacotis, que foi o assentamento onde Alexandre, o Grande, fundou Alexandria. O pilar em si fazia parte do templo de Serápis, que hoje está em ruínas, mas, antigamente, foi um dos grandes centros de conhecimento do mundo. O Pilar de Pompeia foi erguido em homenagem ao imperador romano Diocesano e alguns historiadores acreditam que havia uma estátua desse soberano, montado em um cavalo, no topo da estrutura.

Alexandria também tem ótima opções para quando bater a fome. Uma delas é o Mercado de Peixes, uma construção com paredes de vidro onde você pode se deliciar com frutos do mar e outros pratos tendo vista para o oceano. Há também outros tradicionais mercados de rua pela cidade; por isso, não deixe de visitar pelo menos um deles. Fora dos mercados você também encontra ótimos restaurantes para provar um Kushari, o prato nacional do Egito, feito com arroz, macarrão e lentilha e coberto com molho de tomate apimentado. Comidas mediterrâneas e frutos do mar também são servidos por toda parte.

Cruzeiros pelo lendário rio Nilo

Uma maneira prática, confortável e muito relaxante de visitar outras regiões do Egito é um cruzeiro pelo rio Nilo. As rotas tradicionais incluem Luxor, Edfu, Kom Ombo e Aswan, todas com atrações incríveis para você visitar. Porém, em vez de se deslocar de avião ou ônibus, você tem a oportunidade de ir de um lugar a outro a bordo de um navio cheio de comodidades, opções de entretenimento e observando as belas paisagens do Nilo ao redor.

Os navios costumam oferecer pensão completa, ou seja, todas as refeições, têm belas decorações, tripulação simpática e guias. Você pode até ver um show com trajes típicos na boate. Para relaxar e aproveitar o calor, os deques têm piscinas, mas o melhor é apreciar a vista. Lembre-se de não passar muito tempo nas espreguiçadeiras sem olhar ao redor.

Os cruzeiros pelo Nilo também são uma experiência romântica. Por isso, os casais podem incluí-los como uma parte especial da viagem. E não se engane. Apesar de fazer o deslocamento entre as cidades relaxando a bordo, esse é um passeio de exploração. Prepare-se para andar muito quando desembarcar, pois só assim poderá ver as maravilhas guardadas em cada lugar. Leve bastante água e, à noite, descanse no luxo do navio, enquanto relembra os tesouros que conheceu durante o dia.

As cidades do roteiro

Luxor é uma das melhores cidades para conhecer mais a fundo a história do Egito Antigo. É lá que está o Vale dos Reis, local escolhido para guardar as tumbas dos faraós do império novo, por estar escondido entre as montanhas da cidade, que antes era chamada de Tebas. As tumbas foram construídas dentro das rochas, às vezes chegando a 100 metros de profundidade, e você pode visitar algumas delas. Foi lá, também, que encontraram a tumba de Tutancâmon, intocada pelos bandidos e, por isso, guardando todos os tesouros do faraó. Se atualmente os tesouros de Tutancâmon estão em museus, seu corpo mumificado ainda está lá na tumba, guardado em uma caixa de vidro e exposto para os turistas.

O esplendor dos templos de Luxor é uma atração à parte. O Templo de Karnak, o maior de todos no país, levou quase 2000 anos para ser construído e ainda não foi totalmente explorado. Escavações e descobertas ainda são realizadas no local. Lá, você vai se deslumbrar com enormes esculturas em pedra maciça, colunas lindíssimas e gigantescas e incríveis desenhos nas paredes. O templo possuía avenidas que o ligavam a outros templos, e um deles é o Templo de Luxor, que você também não pode deixar de conhecer. Na entrada, há um alto obelisco esculpido em uma única pedra, e a imagem do Faraó Ramsés II está por toda parte. Muitas estátuas e esfinges impressionantes também esperam por você nesse Patrimônio da Humanidade. E, para encerrar o passeio, visite o Museu de Arqueologia, que abriga tesouros descobertos da antiga Tebas em um ambiente moderno e muito organizado.

Outra parada do cruzeiro é Edfu, na margem ocidental do Nilo. Ali, você vai encontrar o gigantesco Templo de Edfu, construído em homenagem ao deus Hórus. Ele é considerado o templo faraônico mais bem preservado do país, o que se deve à sua localização, longe das inundações provocadas pelo rio Nilo. O templo chegou a ficar enterrado por 12 metros de areia e até foram construídas casas em cima do local. Nas paredes, os desenhos contam a história do deus Hórus, que é retratado como um homem com cabeça de falcão.

Kom Ombo guarda uma surpresa: é lá que está o único templo duplo do Egito. O Templo de Kom Ombo é da época greco-romana e seu lado norte (esquerdo) é dedicado ao deus Hórus, enquanto o lado sul (direito), é consagrado ao deus Sobek, o deus crocodilo. Cada lado tinha entrada, capelas e sacerdotes próprios. Esse templo sofreu muito com terremotos e inundações, e há quem diga que algumas de suas partes foram levadas dali para serem usadas em outras construções. Ali também há um nilômetro, que é um poço com uma escada que desce até o lençol freático, usado para medir as variações no nível do Nilo. Com ele, os egípcios podiam calcular a intensidade das cheias de cada ano e, a partir disso, determinar o valor dos impostos.

Em Aswan, você pode aproveitar o clima menos quente para fazer um passeio pelo bem preservado Templo de Ísis a bordo de uma felucca (barco tradicional). Esse templo, construído na Ilha de Philae, teve de ser mudado do seu local original pela Unesco para uma ilha vizinha, Agilka, pois passava boa parte do ano debaixo d’água, consequência da construção da barragem de Aswan.

Outros dois templos, escavados nas pedras, foram realocados pela Unesco por esse mesmo motivo — os gigantescos Templo de Ramsés e Templo de Nefertari. Os dois formam o Complexo de Abu Simbel e foram construídos por Ramsés II em homenagem a si mesmo e à sua esposa. O Templo de Ramsés é considerado uma das obras mais grandiosas desse faraó e um dos mais belos de todo o Egito.

A viagem da sua vida

Estar diante de algumas das construções mais imponentes e fantásticas da história da humanidade é uma experiência única. Passamos a vida ouvindo falar dessa civilização magnífica do Egito Antigo e, por isso, a sensação de visitar os tesouros arqueológicos do país é indescritível. Você precisa viver para entender, e, com certeza, essa será uma das viagens mais importantes da sua vida!

Resorts no Mar vermelho

Que tal aproveitar um resort à beira do Mar Vermelho? Passe um tempo relaxando nas praias da região, onde as águas azul-turquesa transparentes permitem que você veja os recifes de corais e os peixinhos coloridos. Você pode praticar esportes aquáticos, mas é o mergulho que ganha destaque. A alta visibilidade e a temperatura agradável do mar fazem com que ele seja considerado um paraíso subaquático. Você verá tubarões, cardumes de peixes, navios naufragados e centenas de espécies de corais.

O clima na região é quente o ano todo, o que facilita a programação das suas férias. E, depois de aproveitar o mergulho, basta apreciar uma das paisagens mais belas do mundo, enquanto usufrui de todo conforto e luxo de resorts e restaurantes internacionais.

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