As mil e uma atrações da exótica Tailândia

Um dos lugares mais exóticos e atraentes do mundo, a Tailândia é um desses países impossíveis de se definir em uma só palavra. Com características singulares, faz parte do imaginário e do desejo de muitos turistas que ambicionam conhecer o Sudeste Asiático. Tanto interesse se justifica: de extensão considerável, oferece a seus visitantes, de norte a sul, uma infinidade de possibilidades.

Para quem gosta de passeios ligados à espiritualidade, a Tailândia conta com um legado de mais de 30 mil templos budistas espalhados por todo o país. O misticismo está impregnado em sua cultura: cerca de 90% dos habitantes se declaram praticantes do Budismo e a capital, a agitada Bangkok, concentra alguns dos templos mais cultuados e conhecidos – os Wats, no idioma tailandês –, assim como Chiang Mai, cidade mais importante do Norte, considerada a capital cultural do país. Mesmo para aqueles que não se identificam com a crença, entrar em um desses espaços é voltar ao passado e se encantar com construções ricas em detalhes arquitetônicos e ornamentos, que refletem um saber milenar.

Outro atrativo é a culinária tailandesa, famosa por mesclar ingredientes e especiarias que aguçam o paladar e contribuem para entender a cultura local: os tailandeses têm o hábito de comer a qualquer hora e em qualquer lugar. É comum encontrar pessoas vendendo comida nas ruas, em restaurantes improvisados ao ar livre. Há ainda, é claro, várias opções para quem prefere os restaurantes tradicionais. Para aqueles que se identificam com a gastronomia e querem aprender a cozinhar pratos típicos, há muitos cursos de culinária disponíveis para turistas.

O país oferece outras opções também imperdíveis: praias de águas cristalinas, no Sul, localizadas em ilhas paradisíacas, que inclusive serviram de cenários para filmes famosos (de A Praia, com Leonardo DiCaprio, aos de James Bond).

Entretanto, o mais formidável do país é a simpatia e a alegria de seus habitantes, que constituem um verdadeiro convite para desvelar este destino tão peculiar.

A caótica, encantadora e espiritualizada Bangkok

Bangkok, a capital da Tailândia, com seus oito milhões de habitantes, seduz porque é múltipla, porque é diversa. Pulsa no vaivém dos barcos públicos no rio Chao Phraya e nos muitos tuk-tuks que circulam pela cidade.

É, ao mesmo tempo, caótica e encantadora, cosmopolita e, também, transpira uma tradição milenar. Bangkok é destino de milhares de visitantes que, todos os anos, vão em busca dos seus incríveis templos e monumentos: são cerca de 400 templos budistas.

Um dos mais imponentes e sagrados de toda a Ásia fica exatamente ali, o Wat Phra Kaew ou Templo do Buda Esmeralda. O local abriga uma estátua de Buda de 66 centímetros que data do século XIV, talhada em uma única peça de jade. Dependendo da época do ano, o turista verá esse Buda com roupas distintas: um manto de ouro incrustado de diamantes durante o verão, de ouro sólido na estação fria e um manto dourado na época chuvosa. A troca só pode ser feita pelo próprio rei, para trazer boa sorte ao país durante cada estação.

Grande Palácio Real, construído em 1782 para ser a residência da família real tailandesa

O templo fica no complexo do Grande Palácio Real, construído em 1782 para ser a residência da família real tailandesa. Permaneceu assim por 150 anos e, atualmente, é utilizado para eventos oficiais.

Esse complexo arquitetônico, com mais de 100 edifícios entre templos, palácios, museus e bibliotecas, fascina pelas cores vivas, ricos mosaicos, estátuas douradas e belos jardins. Tudo distribuído em 200 mil metros quadrados e cercado por 1.900 metros de muros.

Visitar o local é se deslumbrar com o estilo arquitetônico, cheio de pormenores como, por exemplo, a fachada da biblioteca budista, com detalhes em madrepérola, e se encantar com os guardiões gigantes (com rostos de expressões assustadoras), que estão na entrada para proteger a capela do Buda Esmeralda dos espíritos malignos.

Buda reclinado 

Outro templo que encanta é o Wat Pho, considerado um dos maiores e mais antigos do país.

Outro templo que encanta é o Wat Pho, considerado um dos maiores e mais antigos da Tailândia

É ali que se encontra o Buda Reclinado, uma estátua toda folheada a ouro e com os pés em madrepérola, em que Buda aparece deitado. O visitante experimenta a impactante emoção de ficar frente a frente com essa majestosa estátua que mede 46 metros de comprimento e 15 metros de altura; só os pés, têm cinco metros de comprimento. Para efeito de comparação, basta dizer que o Buda Reclinado é maior do que a estátua do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro.

Nas solas dos pés estão registrados os 108 símbolos que representam as ações que levaram Buda à perfeição e, atrás do monumento, há 108 potes de bronze representando esses símbolos, para que o visitante, caso deseje, coloque uma moeda em cada um deles para obter prosperidade. As doações são destinadas à manutenção do espaço.

Dentro do complexo, o visitante irá ainda se deparar com outras mil imagens de Buda. O local é também considerado o berço da massagem tailandesa (o país é conhecido mundialmente pela excelência técnica em massagens). Após a visitação, o turista pode aproveitar para fazer uma sessão, a preço bastante acessível.

Templo do Amanhecer 

Às margens do rio Chao Praya encontra-se o Wat Arun, considerado o cartão-postal da Tailândia.

Wat Arun, considerado o cartão-postal da Tailândia.

O templo se impõe na paisagem de Bangkok: sua torre mais alta tem cerca de 80 metros e as outras quatro, 60 metros cada, todas ornamentadas em porcelana colorida. O nome Arun – uma referência ao deus hindu Aruna – significa templo do amanhecer. Na mitologia hindu, o nascer do sol tem poderes espirituais. Apesar dessa referência, um dos horários mais bonitos para apreciar o edifício é à noite, quando as luzes são acesas; com o Wat Arun iluminado, é possível ver o seu reflexo nas águas do rio, num visual impressionante.

Para além dos templos e monumentos, a capital também oferece uma infinidade de opções para quem quer curtir a noite, com muitos bares e baladas superagitadas, além de restaurantes em que se pode jantar com uma linda vista da cidade.

Para quem gosta de ir às compras, acontece, nos finais de semana, o Chatuchak Weekend Market, uma feira gigante ao ar livre que ocupa 14 km²e conta com cerca de oito mil barraquinhas, em que se vende praticamente tudo o que uma pessoa possa imaginar. Pode ser uma ótima pedida para a compra das lembrancinhas que vão ser a representação e a memória dessa inesquecível viagem à Tailândia.

Bate-voltas imperdíveis

Se for com algum tempo extra, o turista pode aproveitar para fazer alguns bate-voltas imperdíveis pelas redondezas de Bangkok.

A cerca de 80 quilômetros da capital fica o Parque Histórico de Ayutthaya, declarado Patrimônio da Humanidade em 1991, que reúne ruínas de templos e palácios. O lugar transpira história, cultura e espiritualidade, com vistas encantadoras em um ambiente de muita tranquilidade.

Ayutthaya, que era a capital na época, foi tomada pelo exército birmanês em 1767, que destruiu e queimou boa parte da cidade. As ruínas não estão concentradas em um único local, e sim espalhadas. Por isso, a dica é alugar uma bicicleta ou tuk-tuk para encurtar distâncias entre um templo e outro e se deslocar com mais comodidade para suportar, dependendo da época do ano, o forte calor e o sol intenso.

Ayutthaya

Um dos lugares mais bem conservados é o Monastério Wat Phra Chao Phya-thai. Fundado no século XIV, a estrutura principal está cercada por uma enorme coleção de Budas, com suas túnicas cor de laranja.

Já um dos templos muito procurados pelos turistas é o Wat Mahathat. Todos querem ver a estátua da cabeça de Buda (com cerca de 40cm) no tronco de uma figueira, recoberta pelas raízes da árvore. Não se sabe exatamente como essa imagem foi parar ali, mas as histórias que circulam por lá sugerem que algum ladrão a deixou no local para buscá-la depois, mas nunca mais voltou, o que permitiu que as raízes rodeassem a cabeça da estátua ao longo dos anos. O certo é que a imagem surpreende pelo inusitado e é impossível ficar indiferente a ela.

Outro programa, este a 110 quilômetros de Bangkok, é conhecer o famoso Mercado Flutuante Damnoen Saduak, um dos mais visitados e antigos do país, com quase um século de existência. Nele se vende de tudo, desde frutas e refeições feitas nos próprios barcos até artesanatos variados. O visitante deve alugar um barco para circular entre os muitos outros que dividem o canal, em um ambiente bastante agitado.

Pode-se aproveitar esse mesmo dia para visitar o Mercado Ferroviário de Maeklong, que acontece sobre uma linha férrea em funcionamento. O trem – que passa cerca de cinco vezes ao dia – anuncia a sua chegada com um apito, o que faz com que todos saiam dos trilhos, tanto os turistas como os vendedores, com seus produtos e barracas. Depois, tudo volta à normalidade até a chegada do próximo trem. É interessante conhecer os dois mercados, por sua excentricidade e para se aproximar dos hábitos tailandeses, observando as diferenças culturais.

Chiang Mai, a mais zen das cidades tailandesas

A 700 quilômetros de Bangkok fica a encantadora e zen Chiang Mai, a mais importante cidade do Norte do país. Mais tranquila do que a capital e rodeada por montanhas, foi fundada em 1296 e cercada por uma muralha, para se proteger dos vizinhos birmaneses.

Centro cultural e espiritual da Tailândia, conta com cerca de 300 templos, mas eles apresentam estilos diferentes, se comparados a outros na Tailândia. Isso se deve a uma mescla das culturas da Birmânia, Sri Lanka e império Lanna. Dentro da muralha fica a Cidade Antiga, que concentra a estrutura turística e muitos templos importantes.

O Wat Chedi Luang é um deles: um precioso santuário construído no século XV. Durante seu esplendor, sua torre chegou a uma altura de 80 metros; entretanto, um terremoto, em 1545, deixou-a parcialmente destruída. No alto das escadas encontram-se quatro portas direcionadas a cada um dos pontos cardeais e decoradas com estátuas de Buda. O templo mais novo tem um interior impressionante, sendo a imagem principal a de um Buda em pé, todo dourado, com cerca de nove metros de altura.

O Wat Phra Singh, construído em 1345, é um dos templos mais venerados no país. Possui vários anexos, mas o mais significativo é o Wihan Lai Kham. Ali encontra-se a famosa estátua do Buda Phra Singh, que tem muito valor para os tailandeses. Próximo à porta há figuras com forma de serpentes, representando o poder dos budas contra os maus espíritos.

Wat Phra Singh

Fora das muralhas, vale muito a pena visitar o famoso Wat Doi Suthep, um importante templo de peregrinação para os budistas. Fica a 15 quilômetros da cidade e foi construído no século XIV, no alto de uma colina. Ao chegar, o visitante precisa optar por subir os 309 degraus – o que é cansativo, mas muito bonito – ou pegar um funicular. A torre dourada impressiona e se destaca entre as outras construções. Dando as boas-vindas, encontra-se a estátua de um elefante branco, uma referência à lenda que deu origem ao templo. Segundo contam, um elefante branco que carregava uma relíquia de Buda escolheu aquele lugar para morrer. Por esse motivo, o templo foi construído ali. Do alto, é possível ter uma visão panorâmica incrível de Chiang Mai.

Ilhas phi phi

Bem-vindo a este cenário deslumbrante

Depois de muitas idas e vindas a templos e monumentos, ir ao Sul da Tailândia é mudar totalmente a rotação: é o momento de relaxar e curtir! As praias tailandesas, com suas águas transparentes e paisagens deslumbrantes, são um convite ao relaxamento total.

No Mar de Andaman fica o principal cartão-postal do país: a Praia Maya Beach, que ganhou as telas com o filme A Praia, em 2000. Com suas águas azul-turquesa, areias brancas e as montanhas da baía, é um pedaço do paraíso em solo tailandês.

Como é um dos destinos mais procurados, fica lotada e, para poder aproveitar, o visitante deve chegar bem cedo, horário em que há menos gente, para se encantar com tudo que esse cenário cinematográfico oferece. Como a praia é uma reserva ambiental, não há infraestrutura para receber os turistas e os acampamentos estão proibidos no local. Entretanto, há pacotes para quem quiser dormir em um barco, um programa mais reservado, quando a praia já se esvazia, no qual é possível apreciar o entardecer e se deslumbrar com o céu estrelado.

Maya Beach fica na Ilha Phi Phi Leh, que pertence ao arquipélago Ko Phi Phi, assim como as ilhas Koh Phi Phi Don, Koh Phai (Ilha do Bambu) e Koh Yung (Ilha do mosquito).

Das quatro ilhas, a Phi Phi Don, a maior do arquipélago, é a que tem mais infraestrutura turística, com comércio, bares, resorts e portos. À noite, abundam as festas.

Já para quem está interessado em mais tranquilidade, as ilhas Koh Phai e Koh Young estão quase intactas, com uma natureza impactante e ideais para mergulho e snorkel. Vale a pena, ainda, sair em excursões em barcos para ter uma sensacional vista panorâmica das quatro ilhas. É de tirar o fôlego!

Dicas para uma viagem tranquila

Nunca desrespeite o rei e a família real tailandesa, porque isso é considerado crime, passível de prisão;

Respeite as crenças locais, por mais que seu interesseseja meramente turístico. Os templos são espaços de devoção para os tailandeses. Neles, é proibido o uso de camisas ou blusas sem manga. Os homens devem vestir calças compridas ou bermudas abaixo dos joelhos e as mulheres, vestidos ou saias abaixo dos joelhos ou calças compridas (bermudas não são permitidas para elas). Em muitos templos, a própria administração disponibiliza roupas para os turistas que não estiverem vestidos adequadamente;

Na cultura tailandesa, os pés são a parte mais suja do corpo. Por isso, é fundamental tirar os calçados para entrar nos templos. Também não direcione os pés para as estátuas e altares. Em contrapartida, a cabeça é considerada a parte mais pura do corpo. Então, não toque nenhum tailandês na cabeça, nem mesmo se for uma criança;

A cultura tailandesa, de forma geral, valoriza a discrição e o respeito. Expressões físicas de afeto não são consideradas apropriadas em locais públicos. Ao lidar com os tailandeses, fale baixo e com polidez; falar alto ou gritar não são atitudes bem-vistas;

Não vá com a ideia de alugar um carro no país. Segundo a embaixada brasileira em Bangkok, só pode dirigir quem possuir carteira de motorista tailandesa;

A posse e o uso de drogas, em qualquer quantidade, é punida com muita severidade pelas leis tailandesas; em alguns casos, até com a pena de morte;

Tenha cuidado com os golpes. Os mais comuns são os aplicados por pessoas querendo vender roupas para entrar nos templos – elas podem ser alugadas sem ônus nos próprios locais. Outro golpe bastante usual em Bangkok é tentar convencer o turista de que o Grande Palácio Real está fechado naquele dia. Geralmente são pessoas bem vestidas, que sabem se expressar e até utilizam falsos crachás de identificação. Fique atento, pois é golpe: o Palácio abre todos os dias. O objetivo é convencer a pessoa a ir a outro passeio, gastando muito mais.

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